domingo, junho 24, 2007

A Síndrome de Skinner

Olá pessoal!

Acredito que muitos de vocês já devem ter ouvido falar de Burrhus Frederic Skinner. Ele foi um famoso psicólogo americano que divulgou uma série de estudos sobre o comportamento humano.

Ele também criou a Caixa de Skinner, um experimento bem interessante onde analisava o comportamento de ratos e pombos. Segue uma explicação simplista:

Um pombo era colocado em uma caixa que possuía um mecanismo de alimentação; a alimentação era fornecida somente quando o pombo acionasse corretamente o dispositivo. É nesse ponto que está o "grande barato" do experimento: Obviamente o pombo não sabe que basta apertar em um determinado local para receber a comida, então ele acaba associando o recebimento do alimento a algum movimento que ele estava fazendo no momento. Por isso era possível observar pombos que faziam a verdadeira "dança da comida", levantavam a asa, giravam de um lado para o outro e por aí vai.

Tá, mas onde entra a tal "Síndrome de Skinner"? Bom... É aqui que começa a polêmica...

Faço uma associação ao experimento dos pombos na Caixa de Skinner quando observo alguns livros de auto-ajuda: Alguém que se deu bem fazendo algo de determinada forma e que deseja repassar isso para outras pessoas.

Sim, concordo que é legal compartilhar as experiências, mas acredito que a forma como isso é transmitido ou recebido muitas vezes pode limitar quem lê. Já observei pessoas que só faltaram montar um check-list para poder seguir à risca as dicas fornecidas em publicações desse tipo.

Minha sugestão não é que os livros de auto-ajuda sejam queimados, mas sim que todos que escrevem, divulgam e, principalmente, que lêem, façam isso com muito cuidado. Sabe aquele livro que deseja te ensinar como influenciar e ter poder sobre as pessoas? E aquela revista que coloca uma matéria na capa mostrando como é simples juntar 1 milhão de reais em sei lá quantos anos (eu assino essa revista)? Pois é... Leia e divulgue com cautela esse material, sempre questionando o que o autor deseja dizer.

Mas a Síndrome de Skinner não pára nos livros de auto-ajuda, isso se aplica também àqueles que acreditam cegamente em alguns grandes (ou não tão grandes) gurus da administração, consultores e afins. Aqui a coisa pode ser um pouco mais séria, pois acaba envolvendo um número maior de pessoas. Já viu aquela empresa que se deu mal por ter seguido um determinado caminho? Pois é... Quem estava a frente dela pode ser uma pessoa (ou grupo de pessoas) que sofria da síndrome.

Então qual será o remédio para a Síndrome de Skinner? É simples... Basta voltar a ser criança!

Ops... Deixe-me explicar antes que digam que estou doido (se já não estiverem dizendo =))...

Quem já observou ou conversou com crianças deve ter percebido o quanto elas são questionadoras; é "por que?" para quase tudo. Todos fomos assim um dia, mas perdemos um pouco esse "senso questionador" com o passar do tempo. Acredito que ele é necessário e fundamental para não cairmos na síndrome.

Conclusão

Questione a "receita de bolo para o sucesso" que existe no best-seller internacional e não aceite tudo que o palestrante, escritor ou consultor lhe disser, por mais que o cara tenha uma retórica perfeita (desconfie mais desses). Seja como uma criança e sempre pergunte "Por que?", com certeza os resultados serão melhores.

Sei que não sou um escritor, mas que tal começar questionando esse texto? =) Podemos continuar discutindo esse assunto, se desejarem.

Comentários Finais

Mais uma vez quero agradecer a todos vocês, caros leitores, pelas visitas e comentários deixados no Buteco, pessoalmente ou por e-mail! Eles são os motivadores para a existência deste espaço. Continuo contando com o apoio de todos!

Um grande abraço!
Alessandro.

Observação Importante: Pesquisei no Google o termo "Síndrome de Skinner" e não tive nenhum retorno. Caso o termo já seja utilizado e registrado, por favor me informem.

13 comentários:

Mauro disse...

Muito bom teu texto Alessandro, e melhor, você ressaltou a importância dos questionamentos em tudo o que fazemos, afinal fazer simplesmente porque alguém mandou faz com que as coisas deixem de ter sentido para se tornarem meras atividades diárias.
Parabéns.

David Pragana disse...

Seguindo a linha do por quê? Relembrei de uma matéria sobre autoconhecimento que tem muito haver com auto ajuda quem sabe assim podemos analisar com mais cuidado tudo que nos é dito ou lido, boa matéria.

O filosofo Descartes, sugere que a busca da Verdade, através do Autoconhecimento impulsionado pela Vontade, segue alguns conceitos que serão analisados.

A Verdade

Em Deus a vontade é criadora da verdade, enquanto que no homem a vontade é descobridora da verdade.
Na busca da verdade, nunca se esqueça de seguir as seguintes regras:

- Não aceitar por autêntico tudo o que não se conheça verdadeiramente como tal;

- Dividir as dificuldades em tantas partes quantas forem necessárias para melhor resolve-las;

- Rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que se possa imaginar a mínima dúvida.

Duvida-se de tudo para verificar se subsiste alguma verdade. Sábio é aquele que sabe duvidar. Não há maneira mais clara de alcançar a verdade que não por um esforço do pensamento, onde a mente se livra das ilusões do mundo exterior e concentra a sua atenção em si mesma e nas verdades que em si encontra. A verdade depende da vontade, sendo dela uma criação.

Boa sorte a todos e questionem sempre.

David Pragana

Mauricio disse...

Concordo plenamente. Livros de auto-ajuda podem trazer muita coisa positiva, mas também pode ter muita conversa-fiada. É importantíssimo, portanto, esse senso crítico, ainda mais em um momento em que todos querem ser o "guru da semana"...

Maninho disse...

Parabens pelo texto, original e muito bem escrito, com certeza me deu motivos para reflexões. Abraços.

Nádia Kameda disse...

Oi Alessandro.

Eu sempre dou uma passadinha aqui, pois esse "buteco" é um dos poucos bem frequentados e com coisas interessantes para se observar.
Mas o tema sobre livros de auto-ajuda particularmente me interessou.
Esses dias eu fui apresentar um seminário sobre métodos de ensino e felizmente a minha parte era sobre leitura, eu havia dito que deveríamos desenvolver nosso senso crítico e gosto pela leitura, e justamente para falar de senso crítico eu citei o exemplo dos livros de auto-ajuda.
Eu disse que detesto livros desse gênero justamente pelo fato de achar que AUTO-ajuda, como o próprio nome diz, é nós ajudando a nós mesmos, e as experiências e conselhos de terceiros não são de muita ajuda (deixo claro que é a minha opinião).
Ao dizer isso, surgiu um monte de gente dizendo que eu sou metida, pois gosto de ler sobre coisas que a maioria não lê, e tudo isso pq eu simplesmente queria exemplificar o que seria o tal senso crítico.
Talvez se eu tivesse lido esse seu comentário eu teria sido mais clara ao falar sobre voltarmos a ser criança (e perguntar sempre como tal) e eles teriam me entendido melhor né?
Obrigada pelo espaço, eu falo muito, escrevo mais ainda, e não resisti ao comentar e contar sobre a minha experiência que tinha relação com o assunto em pauta.

Beijos mocinho.

Luiz de Paiva disse...

Alessandro,

Parabéns pelo excelente texto.

Realmente existe uma indústria da venda de "receitas de sucesso", que só gera retorno para o dono da receita...

Claro que as dicas de quem chegou lá são importantes, mas somente para que cada um encontre seu próprio caminho.

Grande Abraço!

Dennes disse...

Oi, Alessandro !

Muito legal o texto, me fez lembrar bastante coisa...

Bem, eu nunca fico gravando nome de gente famosa, sei que já ouvi algo sobre Skinner, só...

Quando você escreveu "Então é só voltar a ser criança" lembrei de imediato de vários livros de didática e pedagogia que li, assim que voltar para casa vou procurar os títulos.

Um deles, muito bom por sinal, não assume o nome de nenhuma teoria famosa, mas uma das coisas que destaca ao extremo é a forma como as crianças são tolhidas em sala de aula de todo e qualquer pensamento criativo.

Por exemplo, depois de explicar sobre aves e ovos, uma professora pede um exemplo dos alunos de um animal que coloque ovos e um aluno rapidamente diz :

"- Coelho!"

Meio que plagiando o livro que li a uns 10 anos atrás :

"Que grande oportunidade para a professora ! A professora teria a oportunidade de explicar a diferença entre a ciência e a simbologia, por que o coelho e o ovo foram associados a páscoa se o coelho nem ao menos põem ovos.
Mas o que acontece hoje - e aconteceu neste caso - é a eliminação do pensamento criativo e o não trabalho junto ao raciocínio do aluno. A professora fez uma explicação sobre porque o coelho não servia de exemplo e o aluno, acuado, mais uma vez foi incentivado a não ser criativo"

Além disso, me fez lembrar de cara o filme "Memento" (filme muito doido!), em que no final, uma das questões secundárias que fica é que o sujeito foi vítima de uma seguradora inescrupulosa (talvez a própria em que ele trabalhava), o que levou a esposa dele a morte em uma experiência fatal. Isso tem tudo a ver com a experiência que você citou.

Outra questão que torna seu texto e o comentário do David Pragana muito importantes é a atual briga existente entre a mídia tradicional e os blogs. O Estadão nos chamou de macacos, apesar dos absurdos que ele próprio comete.

Caso não esteja acompanhando, vale a pena dar uma olhada nestes links :

http://www.carloscardoso.com/2007/08/02/apagao-da-internet-orkut-vai-sair-do-ar/

http://net-dinheiro.blogspot.com/2007/08/contraditrio-nada-o-cardoso-um.html

http://www.contraditorium.com/2007/08/02/credibilidade-em-excesso-faz-mal/

http://www.interney.net/?p=9760282

http://www.contraditorium.com/2007/08/31/parem-o-mundo-que-quero-descer-blogueiros-nao-sabem-debater/

E mais um milhão de links que vocês encontrarão a partir destes.

É, seu texto não poderia estar mais alinhado com as atuais polêmicas da blogosfera e do maravilhoso mundo novo...

Abraços !

djalma_gomes@yahoo.com disse...

Alessandro e Amigos

Na verdade, o que eu já li de Skinner foram estudos feitos em conjunto com o russo Pavlov em estimulos e respostas a animais.

Embora os conceitos de Skinner e Pavlov não sejam mais considerados no mundo moderno (certamente não para seres humanos), podemos abstrair do mesmo para entendermos a várias matizes de comportamento humano. A esmagadora maiora das pessoas buscam estimulos prazerosas que são bem mais sofisticado do que os usados com pombos e ratos da pesquisa inicia.

O medo psicilogico de se perder um cargo, ser ridicularizado ou ser relegado ao segundo plano de uma empresa traz resultados antes mesmo do acontecimento de fato (as pombas e os ratos do experimento inicial não tinham isto).

Me disseram uma vez que liberdade mesmo é quando não temos mais o medo de sermos ridiculos. Eu vi até um curso que é ministrado numa das mais respeitadas instituições britânicas para a nata das empresas mundiais. O titulo do curso é "Como ser um idiota".

Para quem quizer maiores informações, vai aí o link
http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=9012

Alessandro Almeida disse...

Pessoal,

Agradeço os comentários de todos! Eles sempre complementam e enriquecem muito bem a reflexão iniciada.

Só vale comentar que minha analogia com o experimento feito por Skinner foi para ilustrar minha reflexão. Após uma pesquisa no Google não localizei nenhuma referência à Síndrome de Skinner, por isso resolvi utilizar este título na minha “tese”.

Observo que todos concordamos sobre a importância de não aceitarmos como regra as “receitas” vendidas por “gurus”, consultores, blogueiros (pegando um gancho no comentário do Dennes), etc. Independente da credibilidade do autor, é fundamental a análise e discussão.

Respeitando os credos de cada um, utilizo a citação do apóstolo Paulo em 1º Coríntios 6-12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” Não sei se todos concordam, mas se analisarmos bem, este versículo da Bíblia é uma ótima conclusão para o tema.

Muito obrigado!

Um abraço,
Alessandro.

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OBS.: Acredito que este tema poderia ser bem explorado em uma tese de mestrado ou doutorado, ainda mais considerando algumas febres como a “Lei da Atração”.

Anônimo disse...

preciso d ajuda... fui traída por um parente próximo. d inícío, consegui lidar c/ isso. depois as provocações começaram e eu tive q me isolar. tds dizem q meus ataques é ociosidade. ninguém entende q n consigo olhar p/ cara dele q me jogou em uma confusão, vazou e deixou eu me ralando sozinha. será q o que eu tenho é mágoa, raiva, ou...? Preciso superar. C/ fazer ele admitir o que fez? Tem mta gente combinada c/ ele contra mim...

Anônimo disse...

c alguém pudesse me ajudar... keria q tivesse pelo menos 1 pessoa q acreditasse em mim. tnho medo d morrer...

Ana Paula Haibara disse...

Alessandro, achei interessantíssimo que tenha ressaltado algo que alguns levam anos para concluir uqe é esta diferença entre informação e conhecimento.
Quando se diz que nunca tivemos tanto acesso à informação quanto hoje, com a internet e o Google, e associa-se com conhecimento. Estes são exemplo de pessoas que passam informação para frente, mas não realmente aprendem com ela, não sabem justificar o por quê de suas escolhas.
Quanto aos seus comentários finais, se um dia tiver a oportunidade, gostaria muito de conversar contigo sobre isto, pois está 100% associado a algumas teorias psicanalíticas que tenho estudado para o meu trabalho de conclusão de curso.
Abraços

Alessandro Almeida disse...

Olá, Ana Paula!

Agradeço seu comentário! Podemos conversar sim, quero saber mais sobre a sua monografia!

Um abraço,
Alessandro.

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