terça-feira, fevereiro 05, 2008

Como estão nossos projetos?

Olá, pessoal!

No início de janeiro os capítulos brasileiros do PMI (Project Management Institute) publicaram o Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos Brasil 2007, ele está disponível para download no endereço http://www.pmi.org.br/ (clique na opção Benchmarking GP). Os resultados foram disponibilizados em três arquivos:

  • Relatorio Final - Estudo de Benchmarking em GP 2007 - Versao Final - Perspectiva Geral.pdf;
  • Relatorio Final - Estudo de Benchmarking em GP 2007 - Versao Final - Anexo 1 - Perspectiva por Setor.pdf;
  • Relatorio Final - Estudo de Benchmarking em GP 2007 - Versao Final - Anexo 2 - Perspectiva por Porte de Projeto.pdf.

O primeiro arquivo considera todas as organizações, sendo que os anexos 1 e 2 são agrupamentos por setor e porte de projeto, respectivamente.

Apesar da aparente melhora - em alguns pontos - com relação a 2006, os resultados geram preocupação:

  • 60% das organizações apresentam algum tipo de resistência ao gerenciamento de projeto(página 33*);
  • Somente 6% das organizações sempre percebem o alcance dos objetivos de negócio através do gerenciamento de projetos (página 108*);
  • 78% das organizações costumam ter problemas no cumprimento dos prazos (página 109*);
  • 64% das organizações costumam ter problemas no cumprimento dos custos (página 110*);
  • Somente 29% das organizações não apresentam desvio relevante no orçamento dos seus projetos (página 113*).

* - Relatorio Final - Estudo de Benchmarking em GP 2007 - Versao Final - Perspectiva Geral.pdf

Ainda no mês de janeiro, a TI Inside, B2B Magazine e ComputerWorld (além de outros sites) falaram sobre o resultado de uma pesquisa publicada pela TCS (Tata Consultancy Services). Segundo a pesquisa, 1 em cada 3 projetos de TI não atinge as expectativas dos contratantes. Os problemas mais comuns que foram levantados são:

  • Entrega fora do prazo: 62%;
  • Problemas no orçamento: 49%;
  • Manutenção e custo acima da expectativa: 47%.

O Brasil não fez parte do estudo solicitado pela TCS, mesmo assim, a conclusão não é diferente da que temos ao observar a pesquisa publicada pelos capítulos brasileiros do PMI: É preciso fazer algo!

O cliente quer o furo, não a furadeira!

Mesmo considerando o cenário apresentado pelas pesquisas, é interessante observar em boa parte dos fóruns que participo que algumas discussões são focadas em mostrar o quanto o modelo X é melhor que a metodologia Y, ou então o quanto o BoK (Body of Knowledge) XPTO é ruim se comparado com as práticas OTPX - tudo bem que muitas vezes o pessoal tenta comparar mexerica com melão. Um exemplo das grandes "guerras" que surgem de vez em quando é o debate "CMMI x Agile".

Acredito que as comparações são saudáveis, mas elas precisam ser feitas de uma forma diferente. Seria muito legal se o foco fosse "Até que ponto vale a pena utilizar a metodologia X?", ou então "Para quais tipos de projetos posso aplicar as práticas Y?".

Seria ótimo se as discussões fossem consolidadas ao ponto de concordarmos em um diagnóstico padrão para saber qual metodologia ou conjunto de práticas adotar em determinados tipos de projetos ou organizações.

Precisamos parar de chegar no cliente com o remédio pronto, sem ter o diagnóstico na mão. Precisamos deixar de lado o idealismo e vender soluções, afinal de contas, como diria o saudoso Theodore Levitt, "People don’t want to buy a quarter-inch drill. They want a quarter-inch hole!".

Conclusão

Acredito que a solução ideal muitas vezes é composta pela mistura de uma série de práticas e / ou metodologias. Por isso, precisamos ser "hereges" e deixar de lado o idealismo, dessa forma, os resultados das próximas pesquisas com nossos clientes podem ser mais animadores.

O que vocês acham?

Muito obrigado!

Um abraço,
Alessandro.

4 comentários:

Carlos Cardoso disse...

Olá Alessandro.
O seu comentário é totalmente pertinente. Precisamos avaliar até que ponto qual metodologia ou melhores práticas devem ser aplicadas para melhorar o gerenciamento de um projeto.
Na minha opinião, baseada na experiência de projetos de software, enquanto a engenheria de software não amadurecer no sentido de afirmar que um metro de software é definitivamente um metro de software, teremos sempre dificuldades com prazo e custo nos projetos.

Evelyne Leandro disse...

"Precisamos parar de chegar no cliente com o remédio pronto..."
Concordo com vc.
Muito antes de termos a solução, precisamos diagnosticar o problema. Usar uma metodologia única, talvez, só sirva para engessar as engrenagens.

Abraços!

evelyneleandro.wordpress.com

Anônimo disse...

O que é mais importante em tudo isto, é ver o quanto profissionais como você e outros no mercado estão envolvidos nos projetos de melhores práticas de Gestão. Isto é sadio e importante para a mudança futura que você propos e seus colegas concordaram. O que ainda tenho insistido com alunos e pessoas que trabalham comigo, é que independente do método, tudo é executado por pessoas, e pessoas são 80% do resultado de um projeto, então, qualquer que seja a metodologia utilizada, nunca devemos esquecer a razão do sucesso da aplicabilidade dos métodos: as PESSOAS (que fazem e os clientes). Com a mente aberta, com certeza os profissionais podem assimilar o que há de melhor nos vários métodos, sem ficar "engessado" em uma única forma de condução. Parabéns pela iniciativa.

Tânia Leal

Alessandro Almeida disse...

Pessoal,

Boa noite!

Agradeço pelos comentários!

Em um novo post fiz um complemento ao texto: http://batepapodebuteco.blogspot.com/2008/03/como-esto-nossos-projetos-parte-ii-ol.html

Muito obrigado!

Um abraço,
Alessandro.

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