quinta-feira, dezembro 25, 2008

BSC em PMEs: Quebrando Mitos
Olá, pessoal!

A primeira edição de 2008 do Balanced Scorecard Report veio com dois artigos que chamaram a minha atenção:

  • Desenvolvendo a estratégia: visão, lacunas de valor e análise;
  • Porque o BSC é igualmente eficiente para empresas de pequeno e médio porte.
O primeiro é um “special book review” do novo livro de Kaplan e Norton, intitulado The Execution Premium, lançado recentemente.

O segundo eu já estou esperando há tempos, e é sobre ele que quero falar com vocês.
Na maioria das palestras que assisti, ou dos artigos que li, o Balanced Scorecard é reconhecido como uma das melhores ferramentas para gestão estratégica, por outro lado, tem sido muito questionada a aplicação do BSC em PMEs (ou porque é muito complexo, ou porque é muito caro, e por aí vai).

Em 2005 ocorreu no IBMEC São Paulo uma mesa redonda sobre o assunto (vejam mais informações no texto que publiquei na época). O evento foi interessante, mas o tema poderia ser detalhado mais.
Por esse motivo, o texto do Mario Bognanno atraiu minha atenção, ele aborda 4 mitos comuns que envolvem a utilização do BSC em pequenas e médias empresas:


Mito #1: PMEs não necessitam estratégia, são transacionais
“Pra quê uma ferramenta de gestão estratégica? Aqui todo mundo conhece a estratégia!”
Bom... Esta afirmação pode esconder alguns problemas. Concordo que em uma empresa pequena ou média pode ser mais fácil compartilhar a estratégia de uma forma mais informal, mas é aí que mora o perigo! Nessa divulgação informal pode estar escondida a “Maldição do Conhecimento”, por isso é fundamental tomar cuidado! Além disso, com uma ferramenta de gestão estratégica como o BSC, a organização pode responder duas perguntas muito importantes:

  1. O que eu quero ser quando crescer?
  2. O que precisamos fazer chegar lá?
Dessa forma, a empresa consegue um crescimento sustentável.

Mito #2: O BSC é muito acadêmico e uma abordagem muito complexa para a PME

Basta darmos uma navegada pelo “BSC Hall of Fame” e observarmos a centena de livros e artigos publicados sobre o tema que fica óbvio a sua aplicação além do universo acadêmico, para chegar ao primeiro artigo publicado sobre o tema, os professores Kaplan e Norton realizaram uma grande pesquisa com diversas empresas, apresentando uma realidade comum. E essa postura permanece até hoje.
Com relação a complexidade; assim como “a beleza está nos olhos de quem vê”, a complexidade está na cabeça de quem aplica o BSC.

O conceito da ferramenta é muito simples, inclusive (considerando sua estrutura mais enxuta), pode até ser mais fácil aplicar o BSC em uma PME. A opção entre complexidade e simplicidade está nas mãos da organização.

Mito #3: O BSC custa muito para desenhar e administrar

Apesar do conceito do BSC ser muito simples, sua implantação normalmente envolve mudança organizacional, além disso, dependendo do quanto a empresa está organizada, será necessário um esforço extra de mapeamento e definição dos processos. Tudo isso sem contar as atividades já previstas para definição do mapa estratégico.

Quanto custa tudo isso? Depende... Em organizações maiores e mais complexas, tende a custar mais caro. Mas em empresas menores esse trabalhado é reduzido, refletindo no custo.

Agora a pergunta que não quer calar: O que custa mais caro, ficar sempre dando a mesma volta por não ter uma estratégia definida ou investir no crescimento sustentável (por mais caro que pareça)?

Mito #4: O BSC envolve muita burocracia

Idem ao Mito #2... =)

Sim! Com certeza o BSC pode ser bem burocrático (e, consequentemente, odiado por todos). Obviamente ninguém espera que ele seja um entrave, mas é o tipo de coisa que acontece sem ninguém perceber, principalmente nas empresas maiores. Define-se um objetivo a mais aqui, um indicador adicional ali... Aí, quando menos se espera, o monstro está criado.

No caso de PMEs, sua estrutura enxuta permite que o BSC seja implementado de forma mais ágil e flexível, além disso, envolvendo todos os níveis da organização, tudo isso colabora para que a burocracia seja evitada.

Conclusão
Sim, o BSC é aplicável em PMEs! Se fizerem a lição de casa direitinho, pode ser até mais fácil e eficiente do que utilizar em empresas maiores.
Vocês concordam com esta conclusão? Comentem suas opiniões ou experiências aqui no Buteco ou no post criado para discutir este assunto na comunidade BSC_Brasil (dúvidas também são muito bem-vindas!).
Muito obrigado.
Um abraço, Alessandro.
[Vale a pena ler #1] Painel : Balanced Scorecard em Organizações de Pequeno e Médio Porte
[Vale a pena ler #2]
A Maldição do Conhecimento

3 comentários:

Anônimo disse...

Já tive oportunidade de aplicar este conceito em PME e grandes empresas. As dificuldades que encontrei foram similares. No caso da PME a capacidade de enxergar a estratégia de forma sucinta foi crucial para adaptar o modelo.

Millor Machado disse...

Alessandro,
Eu concordo com você que o BSC é totalmente aplicável a PMEs. O problema é que eu não conheço o caso de nenhuma PME brasileira que tenha aplicado, você tem algum case?

Abraços,
Millor

Alessandro Almeida disse...

Millor,

Fiz algumas pesquisas, mas não encontrei nenhum case de PME que tenha aplicado os conceitos do BSC. O que vejo normalmente são empresas que adquirem ferramentas para gestão de indicadores que se autodenominam "BSC" (esse tema poderia gerar outra discussão, pois observo algumas confusões conceituais por causa dessas ferramentas).

É uma pena que o colega "Anônimo" não tenha se identificado, como ele comentou ter experiência nesse cenário, poderia compartilhar alguns cases.

Além das PMEs, também tenho interesse em ver a aplicação do BSC no Terceiro Setor.

Aproveito para deixar o convite para PMEs e ONGs que desejarem trocar idéias sobre o assunto, fiquem a vontade para entrar em contato.

Muito obrigado.

Um abraço,
Alessandro.

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