domingo, dezembro 11, 2011

Final de Ano, Fechamento de Metas e o Conflito de Agência

É hora de festejar... Mas
também de focar nas metas
Estamos em dezembro! Último mês do ano e período de muitas festas, confraternizações, amigo secreto e por aí vai. Independente do tamanho da sua empresa, pelo menos um churrasquinho na laje o pessoal acaba organizando...


Apesar das festas, em diversas empresas dezembro e janeiro costumam ser meses de labutação. É quando boa parte dos funcionários trabalham até mais tarde e perdem alguns finais de semana trancafiados em seus escritórios e consumindo lanches do McDonald's.


Bom... Sei que essa correria maluca também faz parte da rotina de muita gente nos demais meses do ano, mas em dezembro e janeiro há um motivo especial para o proletariado acumular horas extras ou banco de horas: é o período de Fechamento de Metas!


Sua meta é problema "Tipo 2"!


Levanta a mão quem nunca vivenciou uma situação parecida com o diálogo abaixo:
- Ei... Bezerra! Preciso da sua ajuda! Tenho uma meta aqui que envolve a sua área...
Tonhão é interrompido por Bezerra antes de terminar a frase:
- Pode parar, Tonhão! Também tenho as minhas metas e elas não envolvem esse trabalho que você está comentando! Por que não falou comigo quando definiu essa meta maluca?
Tonhão vai embora triste e irritado, pois sabe que vai perder parte do seu bônus se Bezerra não ajudá-lo.


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Estranho... As metas não atendem algo maior? Não estão alinhadas com os objetivos corporativos? Sendo assim, todas são importantes... Correto?


Mais ou menos... O problema nasce no início do ano, lá na definição das metas.


Não sei onde você trabalha, mas imagino que suas metas são definidas na correria. Em uma ou duas semanas todas devem estar disponíveis para serem validadas pelo gerente ou diretor.


Mas como ninguém (ou quase ninguém) trabalha isolado, algumas das suas metas dependem de outras áreas, por isso temos as metas compartilhadas. Só que neste papo de compartilhar temos (pelo menos) dois riscos:

  1. Cada área dá um peso diferente para a meta compartilhada. Consequentemente, a importância também é diferente.
  2. O compartilhar fica só no discurso do "Pode contar comigo!", pois a outra área não se compromete de verdade. Talvez o Tonhão tenha negociado um "compromisso" com o Bezerra no início do ano, mas obviamente isso não se sustentou na "hora do vamos ver".
E é nesta toada que seguimos durante todo o ano, até chegar o mês de dezembro e começar a loucura de sempre.

Mas... E aquelas iniciativas que surgem após o período de revisão das metas e que podem fazer uma baita diferença para a empresa? O que você faz com elas, hein?

O Conflito de Agência

Se você já fez pesquisas sobre Governança Corporativa provavelmente deve ter lido também sobre Conflito de Agência. Este conflito ocorre quando o administrador toma decisões sem pensar nos acionistas; ou seja, o cara faz coisas dentro da empresa pensando somente em encher o bolso de dinheiro (ou em outros benefícios), e não está nem aí para os acionistas.

O que isso tem a ver com o nosso papo sobre fechamento de metas? Muita coisa! Sabe quando você abre mão daquele projeto que realmente fará a diferença e foca nas metas combinadas com o seu chefe? Pois é, de certa forma, este é um exemplo de conflito de agência... É claro que a escala é muito menor, pois você está tentando garantir o seu bônus baseando-se em algo já combinado e reconhecido pela empresa.

Por isso é difícil reconhecermos que há um problema. Se a meta foi combinada com o chefe e está lançada no sistema, por que fazer algo diferente? Mesmo que o projetinho não faça mais sentido para a empresa, é ele que vai garantir a grana extra do bônus.

Como fazer as equipes colaborarem e, de tabela, garantir que as metas façam sentido durante o ano todo?

É simples! Basta colocar todo mundo para participar do evento onde contam o Segredo dos Campeões!

Segredo dos Campeões? Ah tá...

Falando sério... Acredito que, além de praticar algumas lições que os "gurus" em gestão repetem ano após ano ("o óbvio que passa batido"), as empresas deveriam observar algumas coisas:

  • Ao invés das metas simplesmente "descerem" da diretoria, permitir que as equipes participem da definição. Se os objetivos estiverem claros e bem estruturados, basta fazer um bom acompanhamento e colher os frutos do comprometimento de todos;
  • Garantir o compromisso nas metas compartilhadas. Se todos enxergarem a importância da meta, o risco de alguma equipe tirar o corpo fora no final do ano é bem menor. Basta combinar o jogo da forma correta;
  • Permitir que as metas sejam vivas! Heráclito já dizia que "nada é permanente, exceto a mudança", por isso o processo de revisão das metas devem ser "constante". O mercado e a dinâmica dos negócios podem mudar 3 ou 4 vezes no ano, oportunidades podem surgir a qualquer momento, então por que as metas são revisadas somente uma vez? Acredito que o conceito de "metas dinâmicas" seja o mais difícil de implementar, pois envolve um alto nível de maturidade corporativa. Não sei qual empresa aplica esta ideia, você conhece?
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Após deixar as provocações, me despeço desejando um ótimo 2012 para todos vocês! Agradeço a visita, a leitura e os comentários postados!

Um abraço,
Alessandro.

3 comentários:

Anônimo disse...

Alessandro,

Concordo 100% com as suas ponderações que evidenciam o quanto uma ferramenta simples e poderosa é relegada ao segunda plano, a comunicação.

Todos os vieses que você relatou passam necessariamente pela comunicação.

Creio que projetos inteiros dedicados a esse tema poderiam reverter para qualquer organização resultados impressionantes.

Apesar de a comunicação ser conceitualmente simples, uma aplicação corporativa bem sucedida remonta fortes critérios culturais.

Como tudo no mundo natural, o simples deve ser perseguido para solucionar o complexo.

Abraço.

Thiago Machado

Alessandro Almeida disse...

Thiago,

Agradeço seu comentário! Realmente a comunicação, quando bem feita, mitiga uma série de problemas corporativos (incluindo os comentados neste texto).

É o "óbvio que sempre passa batido"... Talvez por parecer tão simples, os líderes podem julgar como desperdício de tempo uma reflexão sobre o tema.

Um abraço,
Alessandro.

Draper disse...

Muito bom.


http://metamorfosemuscular.blogspot.com

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